É a noite e a água fria, gelada, que desce a garganta. É a noite do dia, e é o dia que desaparece pelas frestas das negras nuvens. É o desespero desamparo desatino. É o cinza.
A chuva traz saudades. Saudades de um tempo que foi, sem nunca ter realmente ido, e perdeu-se no dédalo do espaço nulo. O caminho da noite, pela chuva, é o temor de que nunca mais amanheça, de que o sol para sempre esconda suas verdades.
O dia submergido, engolido vorazmente pelo medo. É como um pesadelo, ou um caminho tantas vezes bifurcado no qual perdemos o norte e os sentidos. E apesar do banho, nunca antes tão encharcado, a despeito da água do mundo, das corredeiras do vazio e da cascata que desaba impiedosamente, não obstante esse amontoado de sinônimos e alusões pluviais, a verdade é apenas uma e irreversível: estou chovendo muito mais do que lá fora.
1. não fazer tempestade em copo d'água.
2. aqui também chove.
perdemos a prática. perdemos a prática para chuvas de dez minutos.