Assim Falhou Zaratustra

10 minutos de garoa

Talvez a chuva, o cinza, o medo, a vida sejam como eu

É a noite e a água fria, gelada, que desce a garganta. É a noite do dia, e é o dia que desaparece pelas frestas das negras nuvens. É o desespero desamparo desatino. É o cinza.

A chuva traz saudades. Saudades de um tempo que foi, sem nunca ter realmente ido, e perdeu-se no dédalo do espaço nulo. O caminho da noite, pela chuva, é o temor de que nunca mais amanheça, de que o sol para sempre esconda suas verdades.

O dia submergido, engolido vorazmente pelo medo. É como um pesadelo, ou um caminho tantas vezes bifurcado no qual perdemos o norte e os sentidos. E apesar do banho, nunca antes tão encharcado, a despeito da água do mundo, das corredeiras do vazio e da cascata que desaba impiedosamente, não obstante esse amontoado de sinônimos e alusões pluviais, a verdade é apenas uma e irreversível: estou chovendo muito mais do que lá fora.

Publicado em 15 de novembro de 2007 às 00:47 por zaratustra

Comentários

    • pelos dez minutos, eu comento duas gotas :
      1. não fazer tempestade em copo d'água.
      2. aqui também chove.

      perdemos a prática. perdemos a prática para chuvas de dez minutos.
    • por amaranta, de volta aos 10
    • 14.Nov.2007 às 21:02 - Permalink - Reportar
    amaranta
  1. Gabi Gomes
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