Dreaming shadows of the past

Sometimes it is incredible. She spinned a web of friendships so thin however intense, as if she wanted to heal deep scars from her past.

There is something of vulnerable in her attitude. Something she wants to hide but she let a tiny piece uncovered for the right people find and finally try to love her.

Her kids are a clue. The several relationships inconcluded. The need of alcohol and parties to forget - or at least to ease - the pains that hurt so deep inside her chest.

The memories alive, come out on her dreams. Sleeping she is helpless, an easy prey. She wakes up sweaty. She needs water. She needs peace.

At the moment, she can never live. She can only think.



 

As anedotas do Sr. Orgasmo I *

Vai lá comer pastel na feira! E bom orgasmo!


Esses dias umas meninas estacionaram aqui e tavam falando quem ficou com quem, quem fez sexo com quem... daí de repente me lembrei da minha filha e minha preocupação acabou. Esses dias descobri que ela fazia sexo virtual e fiquei um pouco preocupado, achei que ela tinha problema. Agora sei que o máximo que pode acontecer é ela parir um disquete.

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* Sr. Orgasmo é guardador de carros e filósofo contemporâneo. Atualmente dedica-se ao estudo das novas tecnologias da informação e seu impacto na sociedade.


 

Mais precisamente...


Que? Não.

Acho que estou ficando velho e rabugento. Muito cricri pra algumas coisas. Mas o esgar acomete minha face ao ler qualquer tipo de texto com as duas palavrinhas mágicas do título.

Vê-se a dupla e jornais de grande porte, de pequeno porte e até naqueles no qual o porte é nulo. Não é errado escrever, mas é fio, muito feio. Abominável, para ser mais preciso.

Coisa de bêbado, acho. O incrível é que "para ser mais preciso" não me soa mal, "mais precisamente" arde no fundo do tímpano e se alastra pelas vísceras como um alerta.

"Estava no Paraná, mais precisamente em Londrina". Dispensável. Há alguma palavras totalmente dispensáveis no português (como se pudessem ser dispensadas somente meia palavra), como o MAIS PRECISAMENTE e o TOTALMENTE. "Estava totalmente impedido". Não fião, tava só uma parte da perna impedida.

Aldo Rebelo poderia ganhar até mais popularidade se no lugar de caçar estrangeirismos caçasse abominações lingüísticas.

Que, para deixar bem claro, não entendo muita coisa. Não entendo nada, mais precisamente.

Totalmente ridículo? Não, só dois quintos ridículos. O resto tá até bom.




 

Impregnado

Placebo: sleeping with ghosts


A veloz idade
do tempo na mancha
da vontade

A tempestade desaba
em você:
a vontade do mundo
agora

A floresta das ondas
cobre o calor
e a umidade
ressurge,

invólucro
a unir os sonhos
e a realidade.

Deixo-me ir,
sozinho
à noite.

Encrespa-se a circunstância.
No mudo temor,
o colapso,
a veloz idade

A sinuosa simplicidade do ter.



 

As Anedotas do Sr. Orgasmo II *

Atendendo a pedidos (na verdade só um pedido, mas enfim..) republico aqui as duas primeiras Anedotas do Sr. Orgasmo, originalmente do meu antigo blog, lá nos idos de Novembro do ano passado:


Bom orgasmo pra todo mundo!


O mais esperado lançamento das livrarias nos últimos tempos não é nada do Paulo Coelho nem livros de culinária (como aquele estrondoso sucesso "Quem mexeu no meu queijo?"), mas sim a autobiografia de um pequeno jogador de futebol. E não digam que estou implicando por ser argentino, mas se eu chamar ele de grande, o que sobra pro Júnior Baiano?

Estou falando de Don Dieguito Maradona. O menor, ou um dos menores, jogadores de futebol de todos os tempos. Acho que ganha do Juninho Paulista. Finalmente Dieguito descubriu sua veia(!) literária. E logo na orelha do livro já diz que o título refere-se a uma obra famosa de um grande escritor norte-americano, chamado John Fante, que ele admira muito.

O título? "Pergunte ao pó".

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* Sr. Orgasmo é guardador de carros, filósofo contemporâneo e crítico literário nas horas vagas. Além dos estudos sobre as novas tecnologias da informação e seu impacto na sociedade, é especialista em Literatura Fantástica Latino-americana.


 

As doze dores da fêmea que não veio



Padre Reinaldo, engraçadinho que é, foi quem me contou da lenda das doze dores da fêmea que não veio.

Estávamos como sempre, Padre Reinaldo, eu e um grupo de senhores que sempre participavam das reuniões da paróquia, conversando sobre as crises no governo, os escândalos, economia, história e diversos outros assuntos que amenizam as agruras da convivência social. Estávamos na biblioteca subterrânea do padre, iluminados pela lareira e pelos candelabros antigos da Igreja Católica, essas relíquias remanescentes d'antanho. O casarão no qual o padre vivia era também antigo e ficava ao lado da paróquia. O vinho foi se esvaindo e, numa pausa com gravidade, Padre Reinaldo inquiriu-nos:

- Sei que são todos aqui grandes conhecedores de coisas, de histórias e de vidas, contudo veio à minha lembrança neste instante um caso que imagino inédito para vocês. Já ouviram falar da lenda das “doze dores da fêmea que não veio”?

Os senhores presentes se entreolharam surpresos. Achei engraçado, mas Reinaldo continuou sério. Parei de rir.

- Não conhecem. Concordo ser um nome deveras estranho, até cômico, mas é a lenda. Dizem alguns que tudo aconteceu mesmo, apesar dos poucos e duvidosos registros encontrados.

Numa época tão remota quanto se possa imaginar havia uma tribo pacífica que vivia de subsistência, sem muito contato com pessoas de fora. Sua religião era singular e, segundo o Padre Reinaldo, nada comparável é conhecido por nenhum dos maiores teólogos ou estudiosos do ramo, e muito pouco foi relatado por outras sociedades. O sumo-sacerdote era sempre o mais jovem da tribo e seu choro na hora do parto, o anúncio de novos tempos.

Raramente o sumo-sacerdote chegava aos três anos em seu posto, pois seu sucessor logo nascia e uma nova era inaugurava-se. Segundo a crença deste povo, a sabedoria está no nascimento: a imparcialidade do recém-nascido proporciona ao povo um modelo igualitário de governo. Não há, dessa forma, oportunistas e pretensos ditadores, pois antes mesmo que descubram sua relevância para a comunidade, é-lhes destituído o cargo.

- Mas como era organizada a vida social se o líder...

Padre Reinaldo me interrompeu com um gesto.

- Não se sabe. Os poucos registros que se têm notícia não são estudos antropológicos da sociedade, mas meras descrições curiosas sobre sua religião.

Eis que em uma época de grandes desastres climáticos, a tribo começa a sofrer pela falta de comida. E, segundo as palavras do Padre Reinaldo, quem não come não tem energia para reproduzir-se.

- Quem não come, não come - observei divertido. O Padre sorriu condescendente.

- Então, o sumo-sacerdote, que por sua condição era melhor alimentado, chegou aos 15 anos, chefe de uma tribo de subnutridos e com plenos poderes em mãos. Pode-se presumir que não duraram muito depois disso.

- Mas o que isso tem a ver com as doze dores da fêmea que não veio? - perguntou um de nossos confrades, traduzindo a ânsia que dominava a sala em palavras. Nisto, Padre Reinaldo, com um meio sorriso sarcástico em seus lábios, setenciou:

- Ninguém sabe. Ela não veio.


 

As anedotas do Sr. Orgasmo III *

Um orgasmo pra todos vocês!


- Encontrei Deus. Ele me pediu pra que avisasse a todos vocês que ele não existe.

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* Sr. Orgasmo é guardador de carros e filósofo contemporâneo. Esse é apenas um excerto de seus estudos teológicos, que devem sair em livro no ano que vem, com o título "Sangue de Cristo - ideal para acompanhar massas"


 

Às margens do rio Piedra...

Nova modalidade de meditação contemplativa



Foi no raiar do dia, de óculos escuros protegendo-me da sensação sempre incoveniente da luz solar, que percebi a finitude do ser enquanto humano (bonita essa).

Talvez tenha sido o uísque falsificado. Mas a claridez (!) foi tão nítida e, desculpem a redundância, clara, que pensei 'como não tinha percebido tudo isso antes?'

E tudo se fez inteligível repentinamente. Como se fosse um aleph mental súbito. Todas as peças do quebra-cabeças se encaixaram e desfrutei da sabedoria e do sentimento de onisciência que só os sábios possuem, aquela mansidão nos gestos, economia na fala, a exatidão das palavras, a momentânea percepção de tudo que é, foi e será, sua razão, causa e circunstância, início, meio e fim.

A vontade era escrever tudo aquilo, publicar, ganhar o Nobel de literatura, doar o dinheiro a causas sociais e viver eremita em cavernas como Zaratustra mesmo o fez, com minhas mulheres eremitas ao redor, exultando-nos em intermináveis festas e descansos em remansos, observando do alto de nossa montanha como a vida flui aos que não perceberam o óbvio, que resplandece em nossa face diariamente e por estarmos ocupados não nos damos conta do quê, afinal, acontece nessa coisa a que chamamos vida.

Mas como eu estava dirigindo deixei pra escrever em casa, e duas quadras depois eu já tinha esquecido tudo isso e só queria chegar em casa, dormir, e torcia para que meu estômago resistisse bravamente ao uísque falsificado.


 

Pelado

Eu tenho orgulho da minha careca!


Na verdade este título não passa de uma isca. Pelado em espanhol quer dizer careca. E careca é como estou a partir de hoje.

Eu sabia que minha calvície estava bem avançada, mas não imaginava que era tanto. Hoje, como todas as vezes em que corto o cabelo, a cada 4 ou 5 meses, cortei bem baixinho. Mas num impulso que surgiu do fundo das (poucas) raízes encravadas em meu cada vez maior e mais amplo couro cabeludo, pedi que o barbeiro passasse a máquina 2 (barbeiro, porque cabeleireiro é coisa de metrossexual. Homem que é homem vai em barbeiro e sem marcar hora, porque marcar hora é coisa de viado).

Aos poucos fui vendo o tamanho do estrago. Meu cabelo em tamanho natural disfarça muito bem a careca. Hoje vi que ele se encontra em estado terminal.

Quem convive comigo sabe, sempre disse que quando minha careca iminente se tornasse ridícula (como está agora) eu começaria a zerar a cabeça. E hoje serviu apenas para ter a tal certeza: está ridículo.

Mas não adianta adiar o inevitável. Se estou careca, o melhor é assumir o quanto antes, pra não ficar choramingando durante décadas a perda total desses fios mortos.

Aliás, cabelo não é nada mais que matéria morta, para nada serve. Exulto e tenho orgulho da minha careca. Até porque a partir de hoje serei ponto de referência. Tenho que me acostumar a ser notado nos lugares.





 

O meu abacateiro

O Aleph não aparece em fotos


Quando eu era criança, lá na década de 80, morava numa bela cidade chamada Panambi, em uma casa sem muros ou grades, numa esquina, coisa quase impensável no Brasil de hoje. Aliás, a última vez que passei em frente a esta casa, já estava devidamente amurada e gradeada.

Nesta minha feliz época, onde trabalhar era algo distante, muito distante, que só viria a conhecer uma década depois, brincar na rua era algo tão natural como atender um celular no trânsito. Lembro que meus vizinhos Cícero e Alan - onde estarão eles hoje? - tinham um quintal com árvores de cinamomo, onde subiámos para pegar aquelas bolinhas que nos serviam de munição.

Mas no meu quintal tinha um abacateiro. Altivo e portentoso, com seus galhos a crescer lateralmente, o abacateiro, apesar do apreço que eu tinha para com ele, nunca nos deu abacates.

Anos se passaram e vim parar no interior do Paraná, onde também plantamos um abacateiro há alguns anos, que desde o ano passado nos poupa de comprar abacates no supermercado. E por poupar-nos desse preço, nosso apreço por ele é imenso como seus ramos. E até maior que pelo abacateiro primordial.

O abacateiro fica ao lado do canil de nossa cadela vira-lata importada de Sertaneja. Sempre achei meio doida essa cadela, seu comportamento não é o habitual aos cães. Hoje descobri a razão de toda esse desvario: há um Aleph no abacateiro.

Para quem não sabe do que se trata o Aleph, três posts aí embaixo menciono ele, num famoso conto de Borges. E para quem está com preguiça de procurar, coloco aqui uma breve síntese do quê, afinal, se trata esse tal de Aleph: “o lugar onde estão, sem se confundirem, todos os lugares do mundo, vistos de todos os ângulos”. Ao mesmo tempo, acrescento eu.

É o mundo inteiro num pequeno ponto luminoso. E o vi hoje à noite, quando ia, rotineiramente, alimentar minha pequenina monstra doida canina. Quando me dirigia até lá, percebi um pequeno ponto luminoso, que nunca antes tinha visto. Voltei, e vi de novo. Era assombroso.

Agora entendo minha pequena cadela, que loucamente latia sempre que alguém se aproximava, como que querendo avisar "olhe ali! é o mundo em nossa frente!", e corria atrás de seu próprio rabo, provavelmente indignada que nenhum de seus donos percebia a imensidão que se encontrava no pequeno ponto luminoso escondido em meio às folhagens do abacateiro.

Estou me decidindo no momento o que faço, se começo a cobrar visitas ou se me deleito solitariamente nesse ínfimo prazer que é conhecer o mundo sem sair de casa. Ficaria certamente rico, se optasse pela primeira. Mas o ser humano é egoísta por natureza. Talvez eu decida ficar pobre e doido, rindo do infinito mundo e sua patética existência. Comendo abacates.

O abacateiro está eternamente condenado à vida. Preciso ir agora. O Aleph me espera.


 

O abominável homem das neves

Abominável, eu?

É incrível. E noticiam como sendo uma coisa séria.

Por essas e outras que desisti do jornalismo.


 
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