Assim Falhou Zaratustra

Férias na terra dos manés - II

11/02 - Segunda

9h
Não acordei tão cedo assim. A noite foi péssima. Há algum tempo nao dormia no meu colchonete magro. A toda hora eu acordava com a chuva ou com gotas em cima de mim, mas como a barraca é razoavelmente grande pra uma pessoas, dei um jeito de dormir na parte de cima (o terreno era levemente inclinado) deixando a goteira para o meio da barraca escorrer até a parte baixa. De qualquer forma, o colchonete tá meio molhado, mas nada que umas horas de sol não resolvam. Se houvesse sol. O tempo está bem nublado, a qualquer minuto pode cair um pé d'agua, uma tromba d'agua ou qualquer outra parte da anatomia dos mamíferos d'água. Cross my fingers, hope to god, knock on wood and pray with all i've got já diria Mark Sandman, clamando por Mary.

17h
De manhã peguei o carro e fui pro sul da ilha, num lugar chamado Pântano do Sul(Parênteses Pós-Viagem: Depois de passar por Floripa e ver placas com os nomes Pântano do Sul, Saco dos Limões, Saco Grande, Ratones, Praia da Solidão fui a Camboriú onde há a Praia dos Amores e me pergunto se esses nomes na capital, ao invés de atrair, não dispersam os turistas. Quem vai dizer que foi pra praia ver o Saco Grande?). O Pântano é uma vila de pescadores com vários barcos, gaivotas, urubus e argentinos pela areia. Água bem gelada. Fiquei um tempo por ali e depois tentei em vão achar uma trilha para a Lagoinha do Leste, que dizem ser paradisíaca, mas no guia não explicava direito e fiquei com preguiça de perguntar aos manés.

Tomei o rumo de volta e parei na divisa das praias de Armação e Matadeiros. Há um rio com um aspecto nada saudável que divide as duas praias. Passando por uma estreita ponte de madeira, chega-se a um morro e às trilhas que que conduzem a Matadeiros, uma praia relativamente isolada e bonita, rodeada de morros, pedras, vacas (!) e pelo rastro que elas deixam pelo caminho.

Varios argentinos por ali. "¡Madre, madre! Mira, la gaviota!", disse um dos pequenos exemplares. Eu mirei o meu guia: ali dizia que também era possível chegar à Lagoinha por ali, pela costa. Olhei e vi um pedralgar (existe isso?) a perder de vista. E lá fui eu. Piano piano, como dizem os italianos, cuidando para não resvalar e quebrar a coluna em uma pedra, segui o rumo do fim da praia. Depois de meia hora subindo e descendo pedras, parei pra tirar uma foto e exatamente nesse momento veio uma onda e quase me levou abaixo. Nessa hora observa-se minha pequena ascendência portuguesa, um dedo do meu pé no meio do Tejo. Analisei então o pequeno progresso da minha empreitada, a distância a percorrer, o tempo gasto, o cansaço nas pernas e, sobretudo, o risco empreendido, resolvi voltar. Sábia decisão, pois a maré estava subindo e depois fiquei sabendo que não havia percorrido nem um terço do caminho. Ainda assim consegui algumas escoriações de recordação.

Voltando pelas trilhas e a ponte, chegamos a Armação (quase que imediatamente lembrai-me de Aramação Ilimitada, dos já longínquos anos 80). Há uma ponte que leva a uma ilha muito bonita, com gramas e pedras e morros e vacas. Mais vacas, mais merdas e mais argentinos. Mas felizmente saí sem pisar em nenhum deles. O máximo que aconteceu foi um hermano que me viu com a camisa do Grêmio e me parou pra falar do Racing, time dele, e me dizer que as camisas são parecidas, em um espanhol pior que o meu.

Voltando ao acampamento, fiz meu estoque de cerveja e resolvi dar uma volta na praia do Campeche a pé. O vento estava deveras forte e aquela areia fina espetava a perna. Se arrependimento matasse, morto estaria eu, a jazer na praia, encoberto sob a areia impiedosa. Mas como não mata, voltei puto da vida pro acampamento, xingando o deus do vento, seja lá quem ele for, anatematizando a tudo e tratei de arrumar um lugar a salvo do vento pra minha barraca, pois a ventania era forte e as nuvens negras demais. (PPV: segundo consulta à Wikipédia - onde se diz a "verdade" sem provas e tudo é aceito sem contestação - na mitologia grega o deus do vento era Éolo, filho de Poseidon, deus dos mares. Éolo habitava as ilhas Eólias, perto da Itália. Daí surge o termo eólico, adjetivo relativo ao vento, e a energia eólica, produzida pelo vento. Zaratustra Cultura informa).

Publicado em 20 de fevereiro de 2008 às 22:23 por zaratustra

Comentários

    • quero ler mais sobre suas férias... fiz um gigante sobre as minhas e nunca o terminei...
      Ximia abraços...
    • por Ximia
    • 20.Fev.2008 às 18:57 - Permalink - Reportar
    Ximia
    • nunca consigo abrir seu último post. vai entender esse sistema...

      mas véio, convida logo a loira, nem que seja pra levar um forta.

      e eu prefiro voltar brnaco da praia a perder dia de so por conta de vermelhidão, por ios sempre exagero no protetor.

      no mais, boa sorte com a loira!
    • por groucho
    • 21.Fev.2008 às 14:40 - Permalink - Reportar
    groucho
    • pois é cara, eu tb nao consigo detalhar o ultimo post...deve ser tipo um problema.

      tipo assim...
    • por Tustra - el dueño del blog
    • 22.Fev.2008 às 18:21 - Permalink - Reportar
    Tustra - el dueño del blog
    • E aeh! Pow, tu acordou tri cedo sim! As 9h da madruga! Cara, pensando no primeiro texto, acho que eu faço jus ao lado dos portugueses carvalhos, porque eu não conseguia achar onde era para digitar os caracteres de confirmação! auhauhaua. faloww meu, sigo lendo!
    • por Eduardo Ritter
    • 26.Fev.2008 às 17:01 - Permalink - Reportar
    Eduardo Ritter
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