Se a luz do céu que irradia vai-se embora, surge então o crepúsculo do ocaso anunciando o fim do dia, a terra a tremer com os uivos do vento, cuspindo chamas ao léu, o horizonte num espelho soturno e sinuoso. O segredo da alma se esconde no riso do sarcasmo. Na crescente atmosfera de pânico, o medo é um triste pesar. O reino ao longe perdido, nunca existido, nunca alcançado, embora em sua frente.
A cobiça é o mal maior da vida. Destrói lares e vidas, objetivos previamente definidos sucumbem à implacável força da ganância. A cada dia menos sentido os pensamentos têm, ou fazem. Num obstáculo que te engole como um precipício profundo e súbito, a consciência se esvai sob o céu de brigadeiro, escondido na treva, o esconderijo fugaz é descoberto e, uma vez revelado, é aniquilado com a mesma indiferença que um serial killer a sangue frio degola suas vítimas.
No escuro do mundo, a pulcritude inexiste. É lá que vive a urgência.