Sobre a Vida

Nasci. Mais ou menos isso, pelo menos ao que me parece. Vida nasceu e olha pra longe.

"Comment allez vous?"

Como se Vida soubesse francês. Nunca freqüentou aulas, a Vida. Tem memória curta também. Nasceu com amnésia e vive o presente sem saber de onde veio e para onde vai, nem porquê está aqui. Vida não sabe nada disso e eu não sei usar os "porquês". Mas isso não é necessário, pois existem revisores. O que eu e Vida precisamos é transmitir a idéia, mostrar nosso pensamento ao mundo. O pensamento presente que vive só e sem ligações com os outros tempos. O pensamento descontextualizado, desconexo, vão, aquele exato pensamento - que eu e a Vida sabemos - não mudará a vida de ninguém.

Às vezes converso com a vida e ela é sarcástica. Tem humor negro. Alive. Ela me disse um dia:

"A vida para ser bem vivida
tem que ser vivida com a mulher da vida"

Irônica. E sempre me pergunto como colocar uma risada num diálogo, descrever gargalhada, emoçoes distintas, mas nada nunca me surge.

Sempre restam duas linhas a serem preenchidas na página. Restavam, dona Vida.


 

Entrando pelo cano (da bota)

Ma vaffanculo, cornuto!!


O remédio que estou tomando é forte. Um antibiótico que se toma em 3 etapas de 3 dias seguidos, intercalados por uma semana cada etapa. E dá uma caganeira inacreditável. Mas enfim, é o preço que se paga pra tentar ir à europa com a saúde razoavelmente em dia.

Pois é, vou pra Itália. É um fato. Algumas pessoas já sabiam, mas eu ainda aguardava o momento certo, e creio que ele chegou agora. (Não sei porque tenho na cabeça que não existe vírgula antes do “e”, mas prefiro assim. E também não sei porque a reforma ortográfica do português não unificou os “porquês”, mas enfim...)

Pensei em começar a relatar minha preparação para a viagem, as minhas impressões da europa e todo aquele trá-lálá de imigrante impressionado. Talvez eu faça isso. Talvez eu jogue fotos de lá neste blog, ou crie um fotolog, ou as jogue no orkut, ou envie por email aos mais chegados, ou nada disso. Talvez roubem minha máquina ou talvez eu esqueça de comprar pilhas, ou esqueça o cabo USB pra conectar no computador. Forse, como diriam os italianos.

Talvez eu esteja cometendo um grande erro. Talvez não. Largar um emprego razoavelmente bom e fácil, vender o carro pra torrar tudo em uma viagem louca e sem sentido a países desconhecidos, sem pessoas conhecidas por perto, sem nenhuma noção do que fazer pra sobreviver lá (já que é difícil arrumar um trampo de jornalista ou bancário, que é o que em tese eu sei fazer, ainda mais em outro país), torcendo pra agüentar 3 ou 4 meses até a cidadania sair e assim poder tentar ganhar em euro, sabe-se lá fazendo o quê, numa cultura estranha, totalmente diversa da minha, num país onde a xenofobia é cada vez mais forte e cujo chefe de estado além de já ser de direita, fez alianças com a extrema-destra, país este que no passado aliou-se à Alemanha nazista, que dispensa apresentações.

Talvez eu esteja louco. Muita gente me disse isso. Disse? Que nada. Uns três só. A maioria fala pra ir mesmo, aproveitar que é jovem (embora careca), solteiro e sem compromisso que me prenda por aqui, que é uma experiência que valerá por toda a vida, que se arrependeram de não terem ido quando eram mais jovens e agora não podem largar a família e tentar a sorte, que tudo dará certo e, na pior das hipóteses, terei muitas histórias pra contar.

Não faço a menor idéia do que vai virar esse blog. Não sei se continuarei escrevendo aqueles textos que não apresentam qualquer história ou nexo. Não sei nem se lá conseguirei atualizar este blog tão constantemente como penso que meu ócio forçado de 3 meses talvez me permita, até porque precisarei de um notebook, e sinceramente não pretendo gastar tão cedo essa quantia. Pelo menos não antes de meu primeiro salário em euro.

Mas uma coisa é certa: tentarei o quanto puder manter atualizado e colocar informações curiosas sobre tudo o que não é vital pra ninguém, mas que ao menos, como a televisão e agora a internet, entretêm as pessoas e fazem uma coisa que nada ou ninguém mais consegue fazer de maneira tão primorosa: perder nosso tempo.

Bem-vindos ao novo Assim Falhou Zaratustra



 

Os melhores títulos da literatura


- Os grandes poetas morrem em penicos fumegantes de merda (conto de Charles Bukowksi)

- E do Meio do Mundo Prostituto Só Amores Guardei ao Meu Charuto (livro de Rubem Fonseca)



 
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