Nasci. Mais ou menos isso, pelo menos ao que me parece. Vida nasceu e olha pra longe.
"Comment allez vous?"
Como se Vida soubesse francês. Nunca freqüentou aulas, a Vida. Tem memória curta também. Nasceu com amnésia e vive o presente sem saber de onde veio e para onde vai, nem porquê está aqui. Vida não sabe nada disso e eu não sei usar os "porquês". Mas isso não é necessário, pois existem revisores. O que eu e Vida precisamos é transmitir a idéia, mostrar nosso pensamento ao mundo. O pensamento presente que vive só e sem ligações com os outros tempos. O pensamento descontextualizado, desconexo, vão, aquele exato pensamento - que eu e a Vida sabemos - não mudará a vida de ninguém.
Às vezes converso com a vida e ela é sarcástica. Tem humor negro. Alive. Ela me disse um dia:
"A vida para ser bem vivida
tem que ser vivida com a mulher da vida"
Irônica. E sempre me pergunto como colocar uma risada num diálogo, descrever gargalhada, emoçoes distintas, mas nada nunca me surge.
Sempre restam duas linhas a serem preenchidas na página. Restavam, dona Vida.