Enfim, amanhã é o dia: o último dia de trampo antes de minha epopéia européia.
Seria um dia para se comemorar imensamente, pois inicia um ciclo de aproximadamente 4 meses sem trabalhar (pois não quero ficar ilegal), sem mover um dedo e, a parte pior, sem receber.
Foram 5 anos 3 meses e 25 dias como bancário. Uma vida árdua, cheia de diferenças de caixa, madrugadas ébrias antes do trabalho, churrascos mil, algumas escoriações, alguns quilos a mais e muitos cabelos a menos em minha promissora careca.
Penso às vezes em tudo que passei nesse tempo todo. Quando entrei estava na metade da faculdade. Formei-me, pós-graduei-me, aprendi espanhol e italiano, namorei, larguei, embriaguei, acordei de ressacas várias, comprei carro (que a muito custo e dor no coração agora vendo para me sustentar - se alguém quiser um Ford Ka 1.0 completo me avise!), enfim, aquele filme clichê de sempre que passa diante dos olhos. Mas é foda relembrar tudo.
Lembro de quando cheguei no primeiro dia de trabalho, o medo (literalmente), a vontade de sair correndo porta afora e nunca mais voltar. Eu devia ter algum tipo de síndrome psicológica e não o sabia. Mas passou. (Agora vem a parte de auto-ajuda, que treino para meus futuros livros) Aprendi e muito com tudo isso. Posso dizer, sem exageros, que eu era uma pessoa totalmente diversa da que sou hoje, para melhor, muito por causa do banco.
Lembro-me que acordava 6h30 da manhã pra sair de casa às 7h30 pra caminhar meia-hora até o ponto de busão mais próximo e descer 1h mais tarde em Ibiporã, onde trabalhava por 9h, muitas vezes pegava na volta o busão direto pra faculdade, o que me forçava a chegar em casa pela meia-noite, 1h da manhã, quando não emendava as festas e dormia na casa de alguém.
E cá estou tendo estas lembranças pífias, que só a mim fazem sentido. Tudo porque é amanhã um dos dias mais aguardados por mim (os outros dois são o dia que eu ganhar na loteria e o da aposentadoria). Lembro de tudo que passei, os 2 anos e pouco trabalhando no caixa, com filas enormes e clientes mal-educados, a insônia, tudo isso e muito mais, e percebo que agora há um hiato, um vazio em minha frente, antagônico a tudo isto já exaustivamente relatado aí em cima.
Olho pra tudo com um distanciamento científico. Paro. Penso. Analiso. Matuto. Destrincho os prós, contras, causas, conseqüências. Strengths, weakness, opportunities and threats.
É. Realmente é deveras difícil admitir, mas acho que vou me acostumar muito, mas muito fácil mesmo a não trabalhar.
Um brinde!
Publicado em 08 de agosto de 2008 às 02:00 por zaratustra